quarta-feira, 29 de junho de 2011

Véu

Em face ao espelho, desmontei-me em figuras
Geométrico, um mozaico me desenhei
à quebradiça imagem dos cacos
Em círculos, o ciclo esperei
Emoldurado estilhaço

De foscos olhares enluarados, abriguei-me
sob fios sedosos de tingimentos sutis
Ah, tão fino o estrangeiro tecido
que alva tez eu fitei através
deste  véu esmaecido

Em minhas torres mais altas, cercado eu dancei
tal pálida rainha em um tabuleiro xadrez
num baile entre sonhos adversários
No vitríolo cansado, a decantei
em todas as cores invictas

Gustavo Rezende