segunda-feira, 30 de abril de 2012

Narrativas

As sintaxes incompreendidas, escondidas
entre as pequenezas da linguagem;
a verdade não entregue, o carinho não dito

Com as páginas vazias de todo santo dia
assim preenchidas, num fluxo lasso;
a canção quase presa aos signos manuscritos

E juntos, uma narrativa! sem magia, em pílulas
de sentido laico e fórmulas sem redução;
no peito, o semblante da glória. Se não, o do frio


Gustavo Rezende

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Em andamento (Empire of Tears)


 And I was rudely awakened from my slumber by the harsh realizement that, If I was to be cared for at this moment, it would be only so that soon I would bring sorrow and disaster to the hands that once I wished they could cherish me. Thus I chose, or perhaps it was chosen for me, the stance and gaze of a statuesque monster, who watches the world and it´s colors swirl and dance by, instead that of a poet and dreamer, who paints these same energies in pages of pain and delight, eternalizing life in concepts and memory. And so it is because at least one of the lessons the searing sun taught me, I know it to be true – that one mustn´t pray to either Gods of heaven or of the human breast; not to have his love and beloved stuck amidst the splinters of one´s shattered heart.


Gustavo Rezende

terça-feira, 17 de abril de 2012

Carta aos Celestinos

Nem mestre ou prisioneiro de nada
Não há musa, nem palavra em cárcere
Apenas razão e loucura confusas
        Do alento que incessante se prova
        E de talentos e fissuras que pulsam

Oh Sol! Abrasivo, carinhoso e fecundo!
Cujo punho queima, adoece e ofusca
Os olhos do corvo assistiram à tua alvorada
        Agora o devolve às noites de Lua
        O repousa do calor e exposição

E se o escuro acolher suas asas, mais uma vez
Mesmo se punido pelas travessuras e insurreições
Ele reassumirá seu posto, faminto do mundo
        Agraciado pelos caídos e sua agonia
        Degustador dos mortos e seus pecados
   
Nas sombras sua rapina já está reerguida
A espreitar as rodas circundantes ao fogo
Farejando o vinho, entre outros odores erógenos
        Juntos aos passos inebriados e trôpegos
        A serem traídos para longe da luz

Estas pegadas não temem seus olhos opacos
Mal reconhecem os reflexos de tão vil postura
Oh Anubis, Diretor dos Pesos! as perdoe –
        O que lhe vale corações leves como plumas
        E as lembranças de um Sol e o luar?

Gustavo Rezende


P.ost S.criptum 
Meh. Nem lembro quando escrevi isso, mas tem tempo. Só "atualizei".