terça-feira, 28 de julho de 2015

Para desmoronar

quero me rasgar
do saber
me despir do
cimento
deixar de estar pó
expelir toda a areia e
desmoronar-me, não concreto
em puro deserto
marginalmente vivo
e frondosamente
seco

quero arder ao sol
sem trégua
nem água
e a oferecer, além do chão
nada
sem sombra
nem fala
só um assovio
do tempo
que o vento rouba
e, sem destino
deixa soprar

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Atrito

Desaparece, na solitária
Bravura do silêncio, a tessitura
Friccional do movimento

Sob o espírito cerrado das Eras,
fantasmas e imagos trepidam,
Fictícios como as memórias narradas
Nos versos motrizes do tempo

E o calor, filho bastardo
Entre Atrito e Momento
Agora calado e em suspenso
Dorme aflito, porém liberto –

A trama dos últimos instantes
É sopro moroso que a estática
Clama, cada suspiro e fragmento,
À nulidade métrica das inquietações

Gustavo Rezende

P.ost S.criptum
Do começo de Junho.