sexta-feira, 7 de maio de 2010

Humanidades

Sua humanidade é consequência
Reação mecânica no firmamento
Edificada nas instituições da libido
Cê homem, cê máquina, cê falha

Tua essência é processo, é programada
Do nada surge e perde-se na transformação

Se meia parte do que te compõe é alma
O que resta de ti resume-se ao barro
É teu ego fóssil e fertilizante
Transeunte incógnito do mundo

É a carne abatida das peças e tragédias
Signo anônimo do que existe e descende

Empunha a dor da mortalidade
E rasga a vossa mercê e tua nobreza culpada
Caminhe impenitente até o horizonte
Guarda do h(H)omem apenas o semblante

Mascara no chiste teu sorriso impostor
Inumano, dentilhado e necropotente

Gustavo Rezende 

terça-feira, 4 de maio de 2010

Cor

Palavras não falseadas, alcancem elas ou falhem
Sons asfixiados no silêncio, auto-eroticamente

no aferro de mãos que defendem e agridem


O olhar pede cores humanas, de ferimentos e tumores
A cor da carne, das vísceras do amor, de suas entranhas

na boca, sede de sabores orgânicos, líquidos e genitores


Ressecada, regurgita os lábios de insensibilidade
Fluídos e toques mecânicos afeiçoam a angústia da lingua

que balbucia e devaneia, faminta por patologias e sintomas

       Gustavo Rezende

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Arktos Megale

Ah! Deidade entre os mortais, afia as tuas garras
Mesmo perdida entre as estrelas ursinas, sinto tua tragédia
Registrada em delírios obscenos, cintilantes no firmamento
Escrita em minha carne com teus abraços ferais

Se a tomar mais uma vez, Oh! doce Callisto
Há de sufocar-me em teus braços de poeira estelar?
Meu sangue nada liberta, nem de tua prisão sideral
Bestializei virilmente teu corpo, então infantil. Não há redução

Se te satisfaz, Oh! Ursa Maior, aqui estou. Vem e me devora
Me abraça e com presas e garras dilacera as minhas formas
Enquanto amo os teus pelos, teu hálito e a faço mais animal

E se morro, renasço, injusto e jupiteriano;  zombo de tua vingança!
O sangue em meu falo é tudo o que me resta de ti e tua graça imortal
Pois tu! Arktos Megale, é paraíso setentrional, além de minha visão

Gustavo Rezende