domingo, 21 de novembro de 2010

Construção

Meu andar de máquina
a escava,
até o granito

Os pés pisoteiam e perfuram
 a terra,
como estacas

Abrem feridas a golpes
maciços e
maquinário pesado

Vermelho, algo jorra da
 construção
de sentidos

Didaticamente, é barro
do solo
hemorrágico

Na paisagem averna não ouço
as canções
doces dos pássaros

Apenas eu a cantarolar
o rasgar
e ranger do aço

Escondo as dosagens que intumescem
as veias
em meus lábios

E mesmo o vazio é intenso,
nada é leve
na alma das máquinas

Um memorando fantasma, não há
silêncio sequer
impassional

Gustavo Rezende

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P.ost S.criptum
Um daqueles tipos de texto que você se promete não escrever novamente... e sempre se trai. Ele não tem nada demais, mas a coragem para posta-lo demorou a chegar. De 2010.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

sem título

Repouso minhas mãos em tuas águas
Estas mesmas mãos que as tornaram salgadas
Às vezes amargas como o sabor das lágrimas
Queria eu dar-lhe apenas lágrimas doces

Gustavo Rezende